MENSAGEM AOS CITEANOS

Recentemente sofremos a perda irreparável de nosso presidente e líder, Dr. Getúlio Marcantonio.

Homem público de qualidades inquestionáveis e de iniciativas imorredouras, como parlamentar deu relevo e dimensões definitivas à Comissão de Agricultura da Assembléia Legislativa, através de jornadas memoráveis em que foram colocados problemas e apontados caminhos para a agropecuária riograndense. 

Como Secretário de Estado da Agricultura lançou um elenco de programas que, mesmo hoje, são considerados avançados, tais como a Integração Lavoura Pecuária e a Operação Feno. Sua visão histórica e habilidade de negociador viabilizaram a criação da EMATER/RS, acabando com a dispersão de recursos públicos e garantindo o aporte de recursos federais para a consolidação de um serviço de extensão rural que viria a tornar-se um dos maiores e melhores do país.

Foi também o criador dos CITEs e, posteriormente, da FEDERACITE, constituindo-se no líder maior do Movimento Citeano, sem dúvida, dentre todas as suas iniciativas, a que mais amou. Seu discurso fácil e entusiástico proclamou e levou a todos os rincões de nosso Estado as virtudes da cooperação, da integração e do companheirismo entre os produtores rurais, na busca continuada do conhecimento, da inovação e da produtividade, através de palestras, de visitas, de testes e experiências e do compartilhamento dos resultados dessas experiências. Sua pregação encontrou seguidores, alcançando a mais de 100 clubes de integração e troca de experiências, com mais de 1.000 produtores participantes. 
Não foi somente um pregador de idéias, pois que sempre procurou colocá-las em prática: seu testemunho e o testamento dessas idéias estão no livro Minha Experiência na Pastoril Cincerro, lançado na Expointer do ano passado, quando as forças já lhe fugiam, os desconfortos da doença o castigavam, mas a dignidade continuava intacta. Os que tiveram o privilégio de presenciar o ato de lançamento nunca esquecerão a emoção daquele momento.

E agora, como ficamos sem o Dr. Getúlio? Sem ele, o Movimento Citeano perde sua razão de ser ou sua disposição de ir à luta, não lhe restando saída senão dar por encerrado seu ciclo de vida? É possível que muitos citeanos convivam com dúvidas como estas.

O objetivo desta mensagem é dizer que não, que nada está posto nem determinado sobre o futuro dos cites e de sua Federação; é reafirmar a validade  renovada dos motivos, das estratégias e dos princípios que deram origem ao movimento. O cenário mudou, novos problemas surgiram, novas tecnologias estão sendo disponibilizadas. Mas nossas convicções continuam as mesmas: a necessidade de superar a rotina e de realizar as mudanças que resolvam os novos problemas; a disposição de sermos pioneiros nesse processo; a estratégia de atuarmos organizados em pequenos grupos regionais baseados na cooperação, na integração e na troca de experiências; a manutenção de uma federação que coordene, oriente e represente os cites junto a organismos de âmbito regional, estadual, nacional e internacional. Por todos esses motivos, a Diretoria da Federacite garante: o futuro do Movimento Citeano está em aberto e só depende de nós, de nossa vontade de prosseguir. Sem o Dr. Getúlio, mas inspirado em seu exemplo, o Movimento Citeano deve prosseguir, com novas lideranças, novas projetos e os mesmos ideais.

Esteio, 20 de abril de 2010

Delfino Beck Barbosa - Presidente da Federacite